Sexta-feira, 4 de Janeiro de 2008

Romeu Correia

Antes de apresentarmos as informações que recolhemos sobre o Fórum Romeu Correia, perguntamos: Quem foi, afinal, Romeu Correia?
 
A amargura de saber que existem ricos e pobres, privilegiados e oprimidos, transformaram Romeu Correia, dramaturgo e romancista de Almada, num militante da arte de contar histórias: é preciso dizer a toda a gente que a vida do povo é difícil e que deve ser melhorada pela educação e pela cultura. Romeu, acreditava neste sonho e na capacidade de ele constituir a herança que lhe sobreviveria quando desaparecesse do palco da vida.
 
Dias antes de morrer, aos 78 anos, concedeu à “Autores” a entrevista que passamos, em parte, a apresentar.
É um excerto um pouco longo mas vale a pena ler!

 

-       Organizou todos os seus álbuns de recortes com algum objectivo ou só o fez porque gosta de ter as coisas organizadas?
-         Romeu Correia: A Câmara de Almada está a construir um Fórum Municipal que tem o meu nome; estes livros de recortes vou deixá-los a esse Fórum. Eu aprendi muito nas colectividades de cultura e recreio e, agora, quero restituir ao povo aquilo que o povo me ensinou. A escola secundária do Feijó também tem o meu nome. Nunca pensei isso em vida.
-         A sua obra vai para além das peças de teatro...
-         RC: Tenho muita facilidade de escrever teatro porque dialogo com muita facilidade e tenho uma grande carpintaria teatral. Escrevi as minhas peças todas à mão. Mas escrevi uns romances («Cais do Ginjal», «Trapo Azul», «Bonecos de Luz»,...) E biografias! Gostava de fazer biografias de homens do desporto. Escrevi a do Francisco Stromp – o fundador do Sporting Clube de Portugal. (...) Eu fui atleta do Belenenses, do Sporting e aqui do Almada; campeão nacional de boxe nos anos 40 e campeão de Portugal no atletismo em 1936. Tinha um físico!...
-         Voltando ao teatro. Estava a dizer que escreveu a sua obra toda à mão...
-         RC: E nos cafés. Gostava daquele movimento que me ajudava a concentrar. (...) Ouvia a conversa das pessoas... aprendi muito com o povo de Lisboa. Escrevia nas leitarias, sentia o barulho e aquele envolvimento das pessoas. Nunca escrevi foi em casa. E olhe que também aprendi muito nas colectividades. Almada tem perto de 150 e eu sou sócio honorário de muitas delas.
-         Só frequentava os cafés para escrever ou também lá ia para conversar?
-         RC: Antigamente havia muitas tertúlias. Quando me reformei, há 20 anos, trabalhava em Lisboa, e era muito conhecido nos cafés e tertúlias da cidade. Até tinha fama de ser um grande conquistador... mas isso era mentira. Eu era muito educado, muito delicado, tenho uma grande capacidade de admirar. Por isso, havia senhoras que gostavam muito de sair comigo...
-         Qual foi a pior peça que escreveu?
-         RC: Escrevi “O céu da minha Rua” em oito dias. É a pior peça que eu tenho mas a Amália Rodrigues representou-a na televisão m 1958.
-         De qual gosta mais?
-         RC: Não sei... hum, “O Andarilho das Sete Partidas”, é uma peça muito difícil de fazer. Requer muita carpintaria.
 
Fonte:
«Anais de Almada» Revista Cultural, Nº 1 , 1998 (Adapt.)
Sentimo-nos:: Bem informadas!
publicado por almadajovem às 17:28
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